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Caso Esmeralda: por quem tomar partido?

por cavalheirosdoapocalipse, em 24.02.07

Encontro-me indeciso no famoso caso Esmeralda, a menina disputada pelo pai biológico e pelos pais adoptantes, e que já levou à prisão do chamado pai afectivo e fez da mãe afectiva contumaz, seja lá o que isso for, não prestei atenção quando falaram nisso e ainda não me dei ao trabalho de pegar num dicionário ou googlar a palavra, até porque o canal Fox ocupa-me muito tempo.

A questão é que, neste momento, não sei por quem tomar partido, porque não simpatizo nem com o pai adoptante nem com o biológico. Confesso que só conheço o caso de modo um tanto ou quanto superficial, não sei quem tem razão do ponto de vista jurídico-legal e, essencialmente, eu faço parte daquele grupo de pessoas que toma partido por alguém tendo em conta o seu aspecto ou a sua posição social… Não me interessa muito o que está para além disto… E a verdade é que não dá para simpatizar muito nem com um pai nem com o outro.

No início, deixei-me levar pela farda de militar do pai afectivo, talvez pelo que a farda representa, um misto de respeito pelas autoridades e de tara por mulheres de uniforme… Ainda por cima, do outro lado, estava o pai biológico com o seu estilo demasiado informal, de camisa de flanela grossa aberta e por fora das calças!

Portanto, comecei por ser pelos pais adoptantes.

Mas, o problema foi que, com a sucessão de imagens na televisão e nos jornais, reparei melhor no militar e achei que ele tem um aspecto muito totó e algo esquisito. Então, pensei que deveria tomar antes partido pelo pai biológico, decisão que acabei por não levar avante porque vi as imagens dele numa audiência no tribunal vestido com fato de gangster e uma berrante gravata cor-de-rosa, parecia mesmo um comparsa do Al Capone…

Por isso, sou chegado a um ponto em que não sinto a mínima simpatia por qualquer um dos pais, não conseguindo eu decidir-me de que lado deve estar a justiça e com quem deve ficar a pequena Esmeralda!

Assim sendo, penso que só me resta um caminho para decidir por quem tomar partido, saber como é a mãe adoptante! Se for bonita e/ou tiver um aspecto agradável e simpático, tomo partido por ela. Caso contrário, talvez a criança deva ser entregue ao pai biológico se este tiver uma companheira interessante. Caso falhe tudo, então o melhor mesmo será colocar a Esmeralda nos circuitos de adopção, na esperança que encontre uns pais bonitos.

Deste modo, eu ficava muito grato a quem me souber indicar onde posso ver uma imagem da mãe afectiva adoptante contumaz. Preciso urgentemente tomar partido definitivo por um dos lados, isto já me anda a ocupar demasiado tempo precioso, necessito avançar para outras tomadas de partido…

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A vergonha da Educação em Portugal: questões para o Engº Sócrates

por cavalheirosdoapocalipse, em 24.02.07
São poucos os acontecimentos capazes de nos darem um abanão e de nos resgatar da pedrada do dia-a-dia. Lá seguia eu a minha vidinha de sempre, até que nesta sexta-feira acordei para a realidade, quando encarei aquilo que eu mais temia: rebentou-me um cano da sanita.
Com este acontecimento percebi que mais uma vez as questões essenciais continuam a passar ao lado deste governo. O que me sucedeu a mim e certamente a milhares de outros portugueses, ficar sem sanita, é acima de tudo uma consequência das políticas desastrosas dos nossos eleitos. Nos últimos anos, os governos nada têm gasto para garantir a segurança e a fiabilidade das nossas casas de banho. E mais uma vez, com a manipulação e censura que graça nos dias de hoje, já não me espantaria se esta minha denúncia não tivesse eco na sociedade portuguesa. Claro que não, porque isso iria mexer com muitos interesses e lobbys.
Sr. primeiro-ministro, assuma que o seu governo é manietado pelos picheleiros portugueses, impedindo, acima de tudo, que se invista na formação dos nossos filhos.
Por favor, Engº Sócrates, explique-me porque é que nunca implementou, no nosso sistema de ensino, formação em pichelaria? Porque se as nossas crianças desde cedo tivessem formação em instalar sanitas, colocar vedantes, usar chaves de porcas, adaptar anilhas e desentupir uma fossa, uma grande classe de favorecidos, o status quo, ruiria. Claro que tentaram atirar-nos areia para os olhos com aulas de trabalhos oficinais e outras. Pelo amor de Deus, Engº Sócrates, respeite os portugueses! Diga-me quantos dos nossos jovens, com essas aulas, aprenderam a identificar brocas de rebites ou turqueses? Quantos dos nossos jovens conseguem montar uma tijoleira em esquadria numa sala de jantar? Quantos dos nossos filhos sabem desmontar um sifão de um bidé ou tirar os cabelos dos tubos de um lavatório, que tanto jeito dava às famílias portuguesas? Quantas das nossas crianças no ensino primário conseguem aplicar silicone vedante numa banheira ou distinguem diluentes sintéticos dos diluentes celulosos? Nenhuma, garanto-lhe. Isso quer dizer que temos um país de ignorantes e as nossas casas como minas para os principais lobbys económicos deste país.
Mas este cenário torna-se ainda mais dramático se analisarmos outras áreas como língua portuguesa. Poucos dos nossos jovens sabem o que quer dizer “põe-me esta parede a prumo, e já” ou “chapisca, emboca e reboca este tecto antes que me chateie”. No outro dia, o meu tio chorou quando viu que o filho não compreendia “unta o barbante e prende-o acolá”. O meu primo também chorou e disse-me que nunca lhe ensinaram nada na escola. O jovem português não sabe falar, graças às políticas desastrosas na área da educação.
Mas diga-me também, Engº Sócrates, qual o esforço que tem sido feito para preparar os nossos jovens para sobreviver a uma catástrofe global ou ainda não reparou nas ameaças que pairam sobre as nossas cabeças? Então o senhor não sabe que se alguém carregar num botãozinho, já está, vai tudo para o galheiro? Ou um cometa, ou sei lá o que mais? Quantos dos nossos jovens têm conhecimentos básicos para reconstruir o país depois da catástrofe? Nenhum. Não teremos jovens para podarem ou fazerem um enxerto numa videira, de moda garantir a reestruturação do nosso vinhedo e uma produção mínima de 100 mil garrafas no primeiro ano do Inverno nuclear.
Quantos saberão abrir um rego para semear batatas? Criar uns porcos, pelo menos garantiríamos a sobrevivência de tradições gastronómicas como o cozido à portuguesa. Mas não, nenhuma das nossas crianças sabe encher umas chouriças e nem distingue uma linguiça duma cacholeira. Quantas é que já mataram um porco e o viram ser aberto? Basta observar o número de portugueses que têm porcos como animal de estimação, em que tudo se aproveita para comer. Não senhor, têm cães e gatos, que numa catástrofe não dão para mais do que duas refeições. Já nem falo nos desgraçados que só têm canários. Fez alguma coisa, Engº Sócrates, para mudar a situação?
Imagine um jovem, durante o cataclismo, que tem de ir de Penafiel a Ermesinde salvar a sua amada mas tem o carro gripado por falta de óleo, quantos conseguirão mudar a junta da colaça? A verdade, Engº Sócrates, é que a irresponsabilidade do seu governo vai criar muitas baixas em Portugal. A única coisa que os nossos jovens se vão lembrar de fazer é ir para o centro comercial e aguardar que passe o Inverno nuclear, pode ser que haja um novo filme para ver no cinema.
Não espero que me responda, pois já nos habituou ao seu autismo. Os portugueses sabem que quando se tem um filho autista ou um pai autista (no caso de violação) sempre o podem abandonar numa instituição e passar vários anos sem o visitar, até porque ele nem dá por ela. Mas um primeiro-ministro autista já não tem solução.

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Sexo em grupo, não se deixem enganar! (Parte II)

por cavalheirosdoapocalipse, em 21.02.07
No dia 14 de Fevereiro, pelas 20 horas, dirigi-me acompanhado da minha esposa à morada que me foi indicada por telemóvel. Um senhor abriu-nos a porta e encaminhou-nos para junto dos outros participantes. Ao chegarmos à sala, a primeira surpresa: apenas se encontravam homens, mais concretamente, 25 homens.
Passado pouco tempo, um senhor perguntou muito educadamente: “será que não se inscreveram mais gajas?”. Nós encolhemos os ombros e ninguém sabia responder.
Eu e a minha esposa conversamos com uns senhores da Trofa muito simpáticos e até falamos da questão do aborto e descobrimos que eles também votaram “Não” como nós.
O tempo passava e ninguém aparecia. Um jovem, que mais tarde vim a saber que era de Ovar, levantou-se e disse que era melhor chamarem alguém. O porteiro entrou e mostrou uma cara surpreendida. “Então, ainda não começaram?”. As pessoas ficaram indignadas. “O sr. porteiro deve estar a brincar connosco, então isto só tem aqui uma senhora, como quer que façamos uma orgia? Isto é uma vergonha!”, disse um dos senhores da Trofa. O porteiro disse que não havia quotas mínimas para mulheres e para homens. O senhor da Trofa levantou-se, “está a brincar comigo, querem quotas no parlamento e aqui, que é onde deviam existir, não existem. Estou indignado e alguém vai ter que pagar por isso”. “Pois, mas o Sr. R. está no estrangeiro e só volta daqui a 15 dias”.
As pessoas ficaram estupefactas e não sabiam o que fazer. “O chato disto é que para além de ser difícil que todos obtenham um orgasmo, como se tratava de uma orgia eu vinha a contar ter três ou quatro orgasmos e agora acontece-me isto”, disse o senhor da Trofa. Todos concordaram, era uma vergonha!
O porteiro disse para estarmos à vontade, que ele não podia fazer nada. Os senhores olharam para mim e para a minha esposa expectantes. Tomei então a palavra: “estou tão indignado como todos os presentes. Acima de tudo considero uma falta de respeito e mais uma vez uma manifestação da atitude pouco profissional que caracteriza a sociedade portuguesa. É graças a amadorismos destes, à falta de empenho dos responsáveis na operacionalização dos projectos e na implementação dos mesmos que Portugal está no estado actual”. O senhor da Trofa concordou comigo e propôs fazermos uma carta a denunciar aquela situação, depois via-se a quem é que a iríamos enviar. Entretanto, o jovem de Ovar perguntou “avançamos ou não?”.
Claro que todos esperavam pela minha resposta. “Eu não quero boicotar, estou solidário com todos vocês, também porque estou na mesma situação. Eu e a minha esposa participamos, mas tem que ficar claro que iremos reclamar e actuar nas devidas instâncias. É que isto não pode ser assim, eles vão vê-las e haverão de aprender”.
O certo é que as coisas avançaram, um pouco de forma desorganizada, mas veio ao de cima o espírito de entreajuda e a solidariedade que caracteriza o povo português. Devo realçar que foram todos de uma boa educação extraordinária e valeu-nos a liderança de um senhor de Moreira de Cónegos, que se mostrou expedito e no final todos lhe demos os parabéns. É nestes momentos que se vêem os líderes. Ele depois confidenciou que trabalhava em organização de eventos. Naquele momento, todos sentimos orgulho em ser portugueses e houve mesmo um momento bonito em que cantamos o hino e um senhor de Nine colocou uma bandeira portuguesa atada ao pescoço. Não mentirei se disser que me vieram as lágrimas aos olhos. Lembro-me que, por descuido, um senhor de Rio Tinto pisou-me uma virilha, mas de imediato foi-me buscar gelo e pediu-me imensas desculpas. Outro senhor de Vila das Aves fez-me uma massagem quando tive um torcicolo. Tudo decorreu com o máximo de civismo.
Contudo, tivemos muitos problemas que julgo que a organização deveria assumir e ser penalizada por isso. O sr. de Nine apresentava, no final, sérios sintomas de uma constipação, porque a casa não tinha qualquer aquecimento. A minha esposa desenvolveu todos os esforços para que tudo corresse pelo melhor, mas muitas vezes tínhamos de aguardar sem roupa no hall de entrada a falar de futebol, porque tudo ficava muito confuso na sala de estar.
O jovem de Ovar sentiu-se mal e afirmava que não iria conseguir, mas o senhor de Rio Tinto fez-lhe um chá de camomila e disse para ele não ter complexos que aquilo devia ser do fígado.
Já no final, para quem pretendia repetir tivemos que pôr a Joana com quatro e cinco senhores ao mesmo tempo, porque como disse o sr. de Moreira de Cónegos, “a este ritmo nem às seis da manhã saímos daqui e se todos quiserem repetir, nem às onze”. E depois ficava muito tarde para quem era de longe. O jovem de Ovar até perguntou se ninguém queria experimentar nada entre homens, “não é que eu queira, é só uma ideia, a coitada da Joana bem precisa de uma mãozinha, ela vai ficar estafada”. “É verdade”, disse o senhor da Trofa, “tens uma esposa cinco estrelas, uma senhora, houvesse mais como ela neste país”. Os homens enviavam olhares duvidoso para um e para o outro lado, mas realmente tínhamos que deixar de ser egoístas e pensar um pouco na Joana. Então o pessoal começou a entreter-se uns aos outros. O sr. da Trofa foi muito simpático e carinhoso e até reparou que eu tinha caspa, recomendou-se um champô que costuma comprar na farmácia e não deixa o cabelo muito seco.
Deste modo, peço a todos que reenviem esta denúncia para que possamos combater a falta de profissionalismo que continua a emperrar Portugal. Na qualidade de usufrutuário de um serviço, senti-me enganado. Todos os dias ouvimos o governo falar de modernidade, de desenvolvimento e de simplificação. Mas não foi isso que eu testemunhei neste bacanal. Acima de tudo, urge garantir quotas mínimas de mulheres nas orgias.

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Sexo em grupo, não se deixem enganar! (Parte I)

por cavalheirosdoapocalipse, em 21.02.07
Há quinze dias deparei-me com uma promoção de uma orgia aberta a todos “os cavalheiros, senhoras e casais de bom gosto”, a decorrer numa moradia na Maia. Na altura, como a publicidade me suscitava algumas dúvidas contactei por e-mail a organização (segue o e-mail enviado):

Ex.mos senhores
Venho por este meio contactar-vos para solicitar alguns esclarecimentos adicionais acerca da orgia que v. Exª intenta organizar na Maia. O texto promocional, cuja versão remeto em anexo, sobre a supra-citada orgia levantou-me algumas dúvidas, e gostaria que V. EXª ou alguém devidamente mandatado para o efeito se dignasse a esclarecê-las:
1º- que providências foram tomadas para acautelar possíveis discriminações no usufruto das pessoas participantes, ao abrigo do disposto no artigo 4º da lei nº 134/99, de 28/08;
2º se foram implementadas medidas preventivas para assegurar que o acto penetrante apenas deverá ocorrer por parte de indivíduos do sexo masculino em indivíduos do sexo feminino;
se vai ser garantida a igualdade de acesso à orgia a minorias étnicas e religiosas como judeus, islâmicos, testemunhas de jeovás, mormóns ou hindus e não apenas à maioria católica; e se será assegurada a liberdade de expressão religiosa na utilização de símbolos como crucifixos, velas, fato e gravata no caso dos mórmons ou o véu islâmico (recordo que devem ter a atenção à utilização de carnes de porco em algumas fantasias caso se verifique a participação de judeus);
4º se está assegurado o não uso de palavras e expressões atentatórias à dignidade e direitos da mulher.
Desde já agradeço a atenção dispensada e fico a aguardar por uma resposta breve
Melhores cumprimentos
JP


A resposta não se fez esperar:
Olá JP
Tudo garantido. Inscreve-te que vai ser uma loucura, já temos mais de 25 inscritos. Vai já ao site e efectua a tua inscrição e respectivo pagamento.
Abraço
R.


Embora a mensagem fosse curta, fiquei mais sossegado e inscrevi-me.

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Situação em Itália: um alerta para o futebol português

por cavalheirosdoapocalipse, em 17.02.07

Em Itália aconteceu, finalmente, o que os amantes de futebol já esperavam há muitos anos: vários estádios foram encerrados ao público, apesar de lá se continuarem a disputar jogos.

Para mim, não foi surpresa e só me surpreende a demora das autoridades italianas em fazer algo que já devia ter sido feito há muito tempo em defesa das pessoas. É que já não havia paciência para assistir a jogos entre equipas italianas, é uma das maiores secas que pode haver, uma autêntica tortura.

Por isso, acho que esta medida é correctíssima, de modo a se proteger os adeptos das tormentas que tinham lugar na maioria dos estádios de Itália. Salvaram-se desta decisão apenas algumas equipas, aquelas com um estilo de futebol um pouco mais atacante e agradável em relação à média italiana.

Esta medida drástica foi tomada apenas depois dos graves incidentes durante e após o jogo Catania-Palermo que resultaram na morte de um agente policial, mas já há anos que se sucedem incidentes violentos – com maior ou menor gravidade – resultantes, como me parece ser mais do que evidente, da insatisfação dos adeptos pela má qualidade do futebol e pela insistência das equipas italianas em tácticas defensivas e irritantes.

Os “tiffosi” saíam de casa para o estádio bem dispostos e de bem com a vida, mas assim que começavam a assistir ao jogo vinham ao de cima todas as injustiças e frustrações vividas na vida pessoal e profissional, aquela tortura vivida no estádio fazia vir ao de cima os piores instintos de cada um e começavam a “descarregar” nos adeptos adversários ou nas forças de autoridade.

Agora, espera-se que a UEFA tome decisão idêntica e impeça que todos os adeptos europeus possam ter que assistir a jogos em que participem equipas italianas. Porque é importante que as pessoas não assistam a esses jogos potenciadores de violência, pelo menos ao vivo, nos estádios, porque pela televisão uma pessoa pode sempre mudar de canal…

É correcto e importante que da mesma forma que se limita o acesso das pessoas às armas, se deve limitar o acesso aos estádios em que se disputem jogos envolvendo equipas italianas; da mesma forma que se impõe um perímetro de segurança assim que se descobre um caso de gripe das aves, se devem criar zonas de segurança ao redor dos estádios em que esteja presente uma equipa italiana.

Fica aqui, também, desde já, o alerta para o futebol português, em que são cada vez mais os jogos sem qualidade e aborrecidos, sendo de esperar que o governo esteja atento e que, se for necessário, para protecção de todos os adeptos e prevenção de casos de violência, tenha a coragem de afastar o público de alguns estádios…

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Aquecimento global: uma excelente notícia

por cavalheirosdoapocalipse, em 15.02.07

Segundo os dados mais recentes, a temperatura poderá aumentar cerca de 3 graus nos próximos anos. Boas notícias, sem dúvida. Contudo, ouvi uma previsão ainda mais animadora de 7 graus, mas como sou cauteloso prefiro aguardar para ver, antes de dar pulos de alegria.
O meu medo é que as calotas polares resistam mais tempo do que devem e infelizmente vejo um cada vez maior enxame de cientistas a meterem o bedelho nos pólos. Pois bem, meus caros, eu gosto mais de sol e praia. Por isso deixem estar as calotas onde estão e deixem a mãe natureza seguir o seu caminho. E não me venham com o discurso sobre os coitadinhos dos pinguins. Se deixar de haver frio, eles habituam-se ao calor e tratarão de descobrir a arte da mudança de pele, não serão os primeiros e não serão os últimos. O meu canário troca de penas todos os anos e só deus sabe como tem sérias limitações de compreensão do que se passa à volta dele. E se os ursos polares já não conseguem dormir, problema deles, porque quando tive problemas de sono durante dois anos, porque tinha um bar aberto no rés-do-chão do prédio onde morava anteriormente, ninguém quis saber, nem a polícia aparecia por lá.
Claro que há portugueses preocupados, mas são aqueles que não têm ouvido a minha voz nos últimos anos. Muitos portugueses endividaram-se e não tiveram o cuidado de investir em imóveis a alguns quilómetros do mar e a cerca de 20 metros acima do nível médio das águas. Não é preciso referir que foi exactamente o que fiz. Investi num T4 (e já veremos as vantagens de ser um T4, com um pequeno logradouro que dá para colocar cinco mesas, vários guarda-sóis e uma churrasqueira) a cerca de 30 km do mar. O preço do metro quadrado foi bastante inferior ao praticado junto ao oceano. Tive o cuidado de verificar que se situa a cerca de 22 metros acima do mar e agora só me resta esperar e dar o meu contributo diário para o aquecimento global: faço cerca de 40 km por dia no meu carro a diesel. Se tudo correr bem, e a minha visão se concretizar, e não raras vezes o tem sucedido, terei o mar perto de casa dentro de poucos anos.
A minha preocupação com os 22 metros não é absurda. Qualquer incauto pensa da seguinte forma: o mar pode subir 15 metros; vou comprar um terreno a 16 ou 17. E as ondas, meus senhores? As ondas, não contam?

O meu T4 vai valorizar e provavelmente terei um a dois quartos a alugar para turistas na época alta (e na garagem posso colocar umas paredes de pladur e dá para instalar uma cama com mesinha de cabeceira e uma cómoda). Com esse dinheirinho vou recuperar parte do meu investimento. Para além de tudo isto, uma temperatura mais agradável permite-me investir num pequeno serviço no meu logradouro onde venderei uns sumos naturais (os meus tios têm boa laranja e tangerina) e talvez uns petiscos, se possível à base de mariscos: uns percebes, um camarão tigre, umas amêijoas à bulhão pato, umas ostras gratinadas ou uns mexilhões de vinagrete. Se as coisas correrem realmente bem avanço para umas cataplanas de marisco e umas açordas à maneira.
Ou seja, a subida de 7 graus centígrados na temperatura seria extraordinariamente bom. Ao longo dos séculos esta tem sido uma terra maldita e só as artes do nosso povo permitiu contrariar esta triste realidade, criando moelinhas, alheiras, chouriças, presunto, tripas enfarinhadas, pregos no prato, francesinhas, petiscos sem dúvida agradáveis, mas que não conseguem fazer esquecer a maldição da mãe natureza. Por aqui não encontramos em abundância lagostas, caranguejos, camarão tigre, bananas, papaias e não sei o que mais.
Mas reparem ainda na tristeza e deprimência do nosso folclore: mulheres e homens cobertos de roupas aos saltos, ranchos e mais ranchos e mais ranchos e mais ranchos. Um pesadelo etnográfico que foi criado devido ao nosso clima nem frio nem quente, mas chuvoso e acima de tudo, esquisito. Que português não sente inveja quando vê aqueles povos que andam praticamente sem roupa e têm danças típicas decentes em que se roçam uns nos outros. E quem dá o exemplo é a avozinha.

Por isso, pela primeira vez na minha vida, vejo os ventos correrem de feição e estou em plena harmonia com a natureza. É um daqueles casos em que me sinto parte integrante do mundo, em simbiose perfeita com o meio ambiente.

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“E a culpa da crise vai para…”

por cavalheirosdoapocalipse, em 12.02.07

Não posso mais manter-me calado! Já estou farto de todos estes anos sempre a falar-se da crise do país e de se atribuir as culpas constantemente aos mesmos, isto é, aos nossos governantes e, em última instância, à falta de títulos do Benfica.

Porque é que ninguém vê o óbvio, porque é que só eu o vejo? A culpa nunca foi do Sócrates, do Durão ou do Guterres! (Bem, quanto ao Santana… ele é sempre culpado do que quer que seja…) Nem sequer é do Bush, da guerra no Iraque ou da galopante subida do preço do petróleo… Não! A culpa sempre foi, é e vai continuar a ser, única e exclusivamente, da… TVI.

Sim, da TVI. Pensem bem por um bocado… Quando é que a crise em que estamos mergulhados começou? No final dos anos 90 do século passado. “Pois, com o Guterres e a sua governação esbanjadora”, dir-me-ão alguns. Mas, então vocês não vêem que foi nessa mesma altura que a TVI iniciou a sua ascensão, que se chegou à frente nas audiências e começou a marcar indelevelmente o panorama televisivo (e social, acrescento eu) com o Big Brother, o Anjo Selvagem e a Manuel Moura Guedes? Acham que é apenas pura coincidência? Como explicar que na entrada para o século XXI, a TVI continuou o seu caminho de consolidação com mais Big Brother, a Quinta das Celebridades, os Morangos com Açúcar, o Fiel e Infiel, mais Manuela Moura Guedes, o Goucha e a loira, enquanto inversamente e de forma proporcional, Portugal afundou-se mais e mais e os portugueses mostraram-se apáticos, pessimistas e derrotados…?

Nos últimos tempos, tem-se insistido em falar em retoma, mas que continua a ser ainda demasiado lenta e que se explica, na minha opinião, a uma ou outra ausência nos ecrãs da TVI, como por exemplo o desaparecimento da Manuel Moura Guedes ou a falta de reality-shows na Quinta do Pinheiro. Mas, ainda é muito pouco para o país recuperar verdadeiramente e se poder falar em verdadeira retoma. Não podemos esperar que Portugal volte a ser um país positivo e optimista, em crescimento económico e social, enquanto tivermos o Você na TV, o Jornal Nacional, os velhinhos Morangos com Açúcar ou a mais recente Doce Fugitiva…

Portuguesas e portugueses, façam como eu, deixem de sintonizar a TVI nos vossos televisores, coloquem no seu lugar uma mira técnica com as suas barras coloridas. Depois que eu o fiz, a minha vida melhorou imenso e entrei em retoma, a sorte já me sorri, as mulheres também e o Estado já não me massacra tanto nos impostos. Se todos nos unirmos, podemos fazer com que Portugal saia finalmente da crise...

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Os homens: as vítimas esquecidas da Interrupção Voluntária da Gravidez

por cavalheirosdoapocalipse, em 09.02.07

Em todo este debate nacional sobre o aborto, um facto salta à vista: mais de 90% dos argumentos apresentados de um lado e do outro eu já havia exposto e debatido há mais de quatro anos um pouco por todo o Norte do país. Aliás, eu gostaria que o Sr. Primeiro ministro comentasse as minhas afirmações no restaurante "O Serrano", em Março de 2003, quando afirmei para dois amigos meus e uma mesa ao lado com cerca de quatro pessoas, que nunca mais voltei a ver, que nenhum governo teria coragem de chamar à atenção para o drama social que está a ser vivido por milhares de homens vítimas da interrupção voluntária da gravidez. A verdade é que a história veio sublinhar e colocar a itálico as minhas palavras. Exponho aqui quatro pontos e uma nota que gostaria de ver comentados por alguém do governo português (se possível pelo sr. Primeiro-ministro):

1º Até ao momento não vi ninguém abordar o sofrimento de tantos e tanto homens que no pós-aborto têm tanta dificuldade em retomar a sua vida normal. Vejamos: li na página dos «Somos médicos por isso não» que muitas das mulheres podem ficar depressivas no pós aborto. Todos nós já aturamos o mau humor e a instabilidade emocional feminina. Provavelmente se eu tivesse que acompanhar uma interrupção voluntária de gravidez de uma mulher ficaria sempre com a ideia: “queres-me ver que quem se vai lixar com tudo isto sou eu”. Não é difícil imaginar o inferno que muitos homens (cerca de 10 mil por ano) vivem na sua intimidade: ou é porque não fazemos nada, ou é porque somos uns preguiçosos, não baixas a tampa da sanita, não respeitas nada, etc. São aos milhares, os homens vítimas da interrupção voluntária da gravidez, homens que só lhes resta pensar: ”OK, mantém-te calmo Zé, ela fez uma IVG, mas isto há-de passar”.
Os últimos estudos que fiz, numas contas por alto, cerca de 5000 homens (valor estimado de homens envolvidos – 50%) apresentam problemas de insónia, insegurança e perda de atenção.
Sem fazermos julgamentos de valor, que não o devemos fazer, vou contar a história de um amigo, podemos chamar-lhe de R. (inicial fictícia) que era casado e depois de dois anos de convívio iniciou-se nas aventuras dos chats. Agora não interessa os pormenores, o certo é que veio a conhecer Joana Sousa (nome próprio verdadeiro mas nome de família fictício) e começaram a encontrar-se discretamente no Tropicália, um motel da região do Porto. Algum descuido e Joana Sousa engravidou. O meu amigo ficou desesperado. Prontamente convenceu-a com assertividade de que deveria fazer um aborto e ela fez. Esse meu amigo nunca mais voltou a ser o mesmo. Jurou-me que nunca mais voltou a um chat e disse-me que ainda hoje tem pesadelos e está sempre com medo de ver Joana sempre que vai com a mulher ao centro comercial. Ou seja, o meu amigo R. foi apenas mais uma das vítimas anónimas, e nunca faladas neste debate, do aborto.

2º Mas o sofrimento dos homens não se resume as estes dez mil e gostaria que o sr. Primeiro-ministro reflectisse e tivesse pelo menos uma palavra para tantos milhares de homens anónimos que vivem o aborto no papel de vizinhos, colegas de trabalho e conhecidos e vêem as coisas alterarem-se sem perceberem muito bem o que se passa. É a vizinha que deixou de se arranjar; é a colega de trabalho sempre antipática que desata a chorar quando mandamos uma boca.

3º Sr. primeiro-ministro há milhares de homens neste momento a sofrer com a imagem vil que a comunicação social tem vindo a transmitir do papel masculino na família contemporânea. Recordo as palavras de um amigo meu que chorava e dizia-me: “eu já não aguento mais, todos os dias dão uma imagem negativa nossa e eu só quero que todos se entendam e haja amor”. A única coisa que posso dizer é que esse meu amigo já não se encontra entre nós. Não aguentou a pressão e foi viver para o Brasil.

4º Um argumento que julgo válido para decidirmos pelo “Não” foi-me colocado por outro amigo. Recentemente num caso extra-conjugal que manteve viu-se obrigado a convencer a companheira a interromper a gravidez. Não foi fácil porque ela era uma mulher “manipuladora e sem escrúpulos, mas boa como o caraças”, segundo as palavras do meu amigo.
Ele justificou-me porque ia votar Não: “se ela fosse abortar a um estabelecimento devidamente legalizado, imagina que me aparece lá um psicólogo irresponsável ou um badamerdas de bata branca qualquer e a convence a desistir, já viste a minha vida?”. A verdade é que o governo português, face a esta realidade, não pensa nas consequências que uma mudança de lei poderá provocar na vida de muitos homens.

Nota: Gostaria que o sr. primeiro ministro me dissesse ou alguém do seu executivo se caso a lei for alterada se eu poderei deduzir no IRS os custos com um aborto, e qual o valor máximo a deduzir?

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