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A vergonha da Educação em Portugal: questões para o Engº Sócrates

por cavalheirosdoapocalipse, em 24.02.07
São poucos os acontecimentos capazes de nos darem um abanão e de nos resgatar da pedrada do dia-a-dia. Lá seguia eu a minha vidinha de sempre, até que nesta sexta-feira acordei para a realidade, quando encarei aquilo que eu mais temia: rebentou-me um cano da sanita.
Com este acontecimento percebi que mais uma vez as questões essenciais continuam a passar ao lado deste governo. O que me sucedeu a mim e certamente a milhares de outros portugueses, ficar sem sanita, é acima de tudo uma consequência das políticas desastrosas dos nossos eleitos. Nos últimos anos, os governos nada têm gasto para garantir a segurança e a fiabilidade das nossas casas de banho. E mais uma vez, com a manipulação e censura que graça nos dias de hoje, já não me espantaria se esta minha denúncia não tivesse eco na sociedade portuguesa. Claro que não, porque isso iria mexer com muitos interesses e lobbys.
Sr. primeiro-ministro, assuma que o seu governo é manietado pelos picheleiros portugueses, impedindo, acima de tudo, que se invista na formação dos nossos filhos.
Por favor, Engº Sócrates, explique-me porque é que nunca implementou, no nosso sistema de ensino, formação em pichelaria? Porque se as nossas crianças desde cedo tivessem formação em instalar sanitas, colocar vedantes, usar chaves de porcas, adaptar anilhas e desentupir uma fossa, uma grande classe de favorecidos, o status quo, ruiria. Claro que tentaram atirar-nos areia para os olhos com aulas de trabalhos oficinais e outras. Pelo amor de Deus, Engº Sócrates, respeite os portugueses! Diga-me quantos dos nossos jovens, com essas aulas, aprenderam a identificar brocas de rebites ou turqueses? Quantos dos nossos jovens conseguem montar uma tijoleira em esquadria numa sala de jantar? Quantos dos nossos filhos sabem desmontar um sifão de um bidé ou tirar os cabelos dos tubos de um lavatório, que tanto jeito dava às famílias portuguesas? Quantas das nossas crianças no ensino primário conseguem aplicar silicone vedante numa banheira ou distinguem diluentes sintéticos dos diluentes celulosos? Nenhuma, garanto-lhe. Isso quer dizer que temos um país de ignorantes e as nossas casas como minas para os principais lobbys económicos deste país.
Mas este cenário torna-se ainda mais dramático se analisarmos outras áreas como língua portuguesa. Poucos dos nossos jovens sabem o que quer dizer “põe-me esta parede a prumo, e já” ou “chapisca, emboca e reboca este tecto antes que me chateie”. No outro dia, o meu tio chorou quando viu que o filho não compreendia “unta o barbante e prende-o acolá”. O meu primo também chorou e disse-me que nunca lhe ensinaram nada na escola. O jovem português não sabe falar, graças às políticas desastrosas na área da educação.
Mas diga-me também, Engº Sócrates, qual o esforço que tem sido feito para preparar os nossos jovens para sobreviver a uma catástrofe global ou ainda não reparou nas ameaças que pairam sobre as nossas cabeças? Então o senhor não sabe que se alguém carregar num botãozinho, já está, vai tudo para o galheiro? Ou um cometa, ou sei lá o que mais? Quantos dos nossos jovens têm conhecimentos básicos para reconstruir o país depois da catástrofe? Nenhum. Não teremos jovens para podarem ou fazerem um enxerto numa videira, de moda garantir a reestruturação do nosso vinhedo e uma produção mínima de 100 mil garrafas no primeiro ano do Inverno nuclear.
Quantos saberão abrir um rego para semear batatas? Criar uns porcos, pelo menos garantiríamos a sobrevivência de tradições gastronómicas como o cozido à portuguesa. Mas não, nenhuma das nossas crianças sabe encher umas chouriças e nem distingue uma linguiça duma cacholeira. Quantas é que já mataram um porco e o viram ser aberto? Basta observar o número de portugueses que têm porcos como animal de estimação, em que tudo se aproveita para comer. Não senhor, têm cães e gatos, que numa catástrofe não dão para mais do que duas refeições. Já nem falo nos desgraçados que só têm canários. Fez alguma coisa, Engº Sócrates, para mudar a situação?
Imagine um jovem, durante o cataclismo, que tem de ir de Penafiel a Ermesinde salvar a sua amada mas tem o carro gripado por falta de óleo, quantos conseguirão mudar a junta da colaça? A verdade, Engº Sócrates, é que a irresponsabilidade do seu governo vai criar muitas baixas em Portugal. A única coisa que os nossos jovens se vão lembrar de fazer é ir para o centro comercial e aguardar que passe o Inverno nuclear, pode ser que haja um novo filme para ver no cinema.
Não espero que me responda, pois já nos habituou ao seu autismo. Os portugueses sabem que quando se tem um filho autista ou um pai autista (no caso de violação) sempre o podem abandonar numa instituição e passar vários anos sem o visitar, até porque ele nem dá por ela. Mas um primeiro-ministro autista já não tem solução.

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2 comentários

De José Carrancudo a 31.05.2007 às 00:00

Ora, todos os governos dos últimos 20 anos contribuíram para o estado desastroso em que o sistema educativo se encontra, e se o Sócrates tem alguma culpa, deve ser a menor de todas, porque apenas continua com o que já lá estava quando chegou, e não sabe como remediar, tal como os outros não souberam.

Publicamos recentemente uma análise que identificou os dois principais problemas do sistema educativo, ao nível de métodos de ensino de Português e de Matemática. (http://educacao-em-portugal.blogspot.com/) A culpa maior do Governo, é que não quer admitir que as soluções existem, tendo sido propostas pelas pessoas que não fazem parte do mesmo.

Infelizmente, não será fácil reconstruir a Educação Nacional, e começar pela Escola Primária - vamos ter que esperar 12 anos para ver os resultados.

De A.S. a 24.02.2007 às 16:15

Finalmente, alguém diz aquilo que precisava ser dito!
Também acho que mais importante do que dar aulas de inglês ou educação musical às nossas crianças na primária, era ministrar-lhes aulas de pichelaria ou mecânica.

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