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Já não acredito em Deus!

por cavalheirosdoapocalipse, em 09.03.07
Há oito anos fui a Fátima tomar uma cerveja com a irmã Lúcia. Agora que a irmã já não está entre nós, posso contar a história. Já lhe tinha escrito por diversas vezes a dizer que gostava de me sentar e conversar com ela, mas nunca recebi resposta. Decidi-me a telefonar e marquei um encontro. Acho que ela gostou da minha frontalidade e admiração, ao telefone disse-lhe que já acompanhava a carreira dela desde pequenino.
O encontro foi emotivo, chorei mal a vi e ajoelhei-me durante vários minutos. Ela não queria tomar nada mas eu insisti: “tome uma cerveja preta que faz bem aos ossos”. Perguntei-lhe se tinha sido Nossa Senhora que lhe disse para se enfiar num convento, não vestir nada de jeito, não fazer umas limpezas de pele, nunca curtir com ninguém e não aproveitar a vida. Ela assegurou-me que não. Fiquei surpreendido. Eu achava que a irmã Lúcia tinha mérito, mas nunca ninguém lhe ensinou a gerir o tempo e a controlar o stress. A verdade é que a irmã não tinha culpa, por isso tentei dar-lhe umas dicas sobre hierarquia de tarefas, planeamento diário e técnicas de reuniões produtivas. A irmã Lúcia era sem dúvida uma grande profissional, mas isso não implicava que não tivesse um tempinho para si, para ir dar umas voltas, conhecer gente nova, ir a um ginásio ou piscina. Ela sorriu, certamente pensava que já era tarde de mais, mas eu lembrei-lhe que nunca é tarde, “inscreva-se naqueles jantares dançantes, só vai gente disponível”. Lembrei-lhe daquele pessoal da Bíblia que aos oitenta e tal anos ou mais ainda lhe malham forte e feio e aparecem com filhos. Aconselhei-a a usar uma agenda electrónica e a utilizar lembretes que certamente nunca falharia nenhum compromisso.
No fim, partilhei então o que lá me tinha levado. Eu também já tive uma aparição. Estava em Armação de Pêra, num dia de céu bastante nublado, deitado na praia e de repente vejo à minha frente a imagem de uma senhora toda vestida de branco, a pairar no ar. Na altura, fiquei com um ar surpreendido e perguntei se era para os apanhados. Ela disse que não e eu pedi-lhe uma prova, fazendo com que o sol aparecesse, o mar ficasse calminho e quente e estivesse um dia maravilhoso de praia até às 18h. O sol descobriu-se nos céus e as ondas pareceram desmaiar. Fiquei aparvalhado. Pedi-lhe uma omoleta mista no pão e uma cerveja e apareceram-me imediatamente. Embora fosse cerveja branca, não me importei. Depois, Nossa Senhora disse que teríamos de mudar muito o nosso comportamento se quiséssemos uma economia mais competitiva e produtiva, precisávamos de maior flexibilidade e mobilidade profissional e assegurou-me que enquanto continuássemos com uma legislação laboral tão rígida dificilmente atrairíamos investimento estrangeiro. Disse-me para nos prepararmos para a subida das taxas de juro, que teríamos de orar para conseguirmos energias alternativas e que eu deveria anunciar isso a toda a gente. Eu disse, OK, tudo bem, mas não me dava jeito nessa altura, porque tinha já combinado uma tainada com o pessoal no parque de campismo e só voltava no dia seguinte para o Porto. Então disse-lhe que se não se importasse, podia voltar a aparecer-me lá por casa, falávamos mais calmamente e assentávamos umas ideias no papel. Ela não se importou e eu propus-lhe que da próxima vez ela viesse preparada para fazer briefing, juntos poderíamos definir uma estratégia de comunicação, fazer até um brainstorming para arranjar ideias porreiras e, se considerasse relevante, eu poderia avançar desde logo para a formação de uma task-force com vista à implementação de todo o processo.
Bem, o certo é que ela nunca mais me apareceu e eu estava ali com a irmã Lúcia para saber se Nossa Senhora teria intenções de voltar a encontrar-se comigo ou se o projecto era para colocar de lado. “Irmã Lúcia, veja bem, já fiz alguns investimentos iniciais. Com esta brincadeira, lá foram 1350 € e não sei quem é que se vai responsabilizar por me ressarcir. Mas é mais a questão da palavra e do profissionalismo. Quando cheguei ao Porto estive a definir um cronograma, elaborei um mix de comunicação, fiz planeamento logístico, reuni uma equipa com pessoal licenciado e agora ela faz-me isto. Desaparece”. A irmã Lúcia encolheu os ombros e disse que tinha de voltar para a oração.
Não insisti, disse-lhe apenas: “irmã Lúcia, você pode ser muito, muito feia por fora, mas por dentro deve ter uma saúde de ferro. E isso é o que interessa. Cuide de si”.
Parti com a certeza que este era mais um projecto para a prateleira. A partir desse momento deixei de acreditar em Deus. Se quiser avançar com alguma coisa, primeiro quero um adiantamento como manifestação de boa fé e só depois é que entro. Estou farto de discursos.

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2 comentários

De Anónimo a 13.03.2007 às 11:33

Não sejas Incrédulo mas crente

É preciso saber respeitar.

A Fé de cada um não se ve, manisfesta-se em nós

Bruno Lima

De Artemisa a 03.07.2007 às 15:29

Olá!

Devias ter mais respeito pelo assunto que abordaste.

A Fé é algo pessoal que ninguém tem o direito de questionar.

Frequento a Igreja desde que me conheço e hoje acredito profundamente naquilo que lá aprendi. Se não fosse algo tão importante e necessário para mim não estaria a escrever isto...Cada pessoa dá valor a certas coisas que para qualquer outra pessoa podem parecer ridículas. Mas para nós.. são importantes... E ninguém pode pôr isso em causa...

Espero que percebas que não foi bonito aquilo que fizeste...

Um abraço

Diários de Bordo

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